sábado, 14 de maio de 2016
15. A Minha Banda
A Minha Banda [Concreto Armado]
Durante quase dez anos eu procurara minha banda
Acreditava que o importante era o que se sonhava
Nada mais cínico!
Logo veio a vida nova, apodrecida de tantas obrigações
Hoje sei que o que se apreende da realidade são apenas ilusões
Que já vão tarde!
O tempo empreendido em rasgar tantos véus
O tempo que for preciso pra dizer tantos adeus
O tempo dos malditos abandonados ao léu
O tempo, que rompe o abismo, abraça o breu
Do céu
Pois, nada é mais belo que a liberdade
Nada é tão certo quanto a mudança
E se a vida é um tempo em disputa
Lutar é a minha esperança
Tentei me organizar coletivamente pra entrar no debate público
Porém, havia uma muralha que impedia a convivência democrática
Intransponível
Quando a sorte me sorriu e me acenava com uma sintonia política
Apesar da boa-vontade, esbarrávamos em alguma divergência estética
Incontornável
Como se eu pudesse ser uma banda inteira
Seria um andarilho com minha própria bandeira
Sou mesmo um guerreiro de alma etérea
Do resto das estrelas, seu ruído de fundo
E sua poeira
Pois, não há nada melhor do que ser livre
Daí advém a felicidade
E se as grades encerram meu inconsciente
Lutarei pela minha vontade
Quê poderia estar oculto em tanto verso hermético?
Eis que tanto sangra minha garganta após tanto grito eufórico
E eu nunca minto!
A potência do meu voo, vacilante, abusa do ganho
Não há nada nesse mundo que me obrigue a sonhar o mesmo sonho
Nem cantar o mesmo canto
Até quantos decibéis atinge a minha voz?
Tudo o que é sólido e que o ar desfaz
Pra libertar o animal feroz que me conduz
A serpente que seduz aquele que for capaz
Aliás,
Não há nada melhor do que ser livre
Daí advém a felicidade
E se as grades encerram meu inconsciente
Lutarei pela minha vontade
Pois, nada é mais belo que a liberdade
Nada é tão certo quanto a mudança
E se a vida é um tempo em disputa
Lutar é a minha esperança
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